O que fazer em Montreal América / América do Norte / Canadá

“Moraria fácil em Montreal” – Essa foi a primeira coisa em que pensei quando comecei a escrever esse relato. Os motivos? Logo você vai saber…

A bela Montreal está localizada na ilha de mesmo nome, banhada pelo majestoso Rio Saint Laurence, que com seus 1.198km de extensão conecta a região dos Grandes Lagos. A cidade ostenta em seu centro o morro Mont-Royal, origem do nome da cidade (faz sentido, não!?).

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Vista panorâmica da cidade, do topo do Mont-Royal

Próxima a Ottawa, Quebéc e Toronto – 2, 3 e 5 horas de trem, respectivamente – é ponto estratégico na hora da elaboração do roteiro, seja para conhecer a fundo, seja para dar aquela esticada em sua viagem. O transporte pode ser pelos confortáveis trens da companhia Via Rail (wi-fi grátis nos vagões!!!), enquanto se aprecia as lindas paisagens do percurso, ou via aérea.

Para entender melhor o atual espírito de Montreal é necessário que recapitulemos um pouco de história: Fundada pelos franceses no ano de 1642, rapidamente virou um dos principais centros de comércio da América. Em razão da derrota para a Inglaterra e seus aliados na Guerra dos Sete Anos, Montreal, em 1760, passou a ser dominada pelos britânicos. E essa breve síntese justifica o porquê do Canadá ser um país bilíngue, tendo o inglês e o francês como línguas oficiais. Aliás, depois de Paris, Montreal possui a maior população francófona do mundo.

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The Beer! La Biére! – Para nós que temos apenas um idioma oficial é muito curioso ver rótulos de produtos e diversas outras coisas nos 2 idiomas.

Facilitando a vida dos viajantes, Montreal é praticamente dividida em cidade nova e cidade velha. Há ainda zonas pontuais, como o bairro do Plateau du Mont-Royal, Chinatown, île Notre-Dame etc, que são facilmente alcançadas pelo excelente sistema de metrô.

E já que o assunto é metrô, isso é outra coisa que você deve conhecer. Como assim conhecer o metrô??? Sim. É que o metrô de Montreal fica dentro da RÉSO: o maior e mais famoso complexo de galerias subterrâneas do mundo. É uma verdadeira cidade embaixo da terra. São mais de 30 km de túneis e galerias que interligam os pisos subterrâneos dos principais prédios da cidade. Tudo lá é organizado e limpo. Totalmente climatizado, ajuda muito a se proteger do frio, neve e chuva no rigoroso inverno canadense. Com ajuda de um mapa, é bem fácil se locomover. As linhas do metrô são divididas por cores – laranja, azul, verde e amarelo – e contemplam praticamente toda a cidade. Muito simples de entender também. O bilhete avulso custa $3 CAD, mas é possível comprar o Day Pass, que custa $8 CAD e vale em todo o sistema por 24 horas – inclusive no ônibus 747, que faz o trajeto aeroporto-centro. Há ainda o passe de três dias, que custa $16 CADClicando aqui você pode baixar um mapa do metrô.

Enfim, vamos ao que interessa: O que conhecer em Montreal?

Sem dúvida a parte antiga da cidade é a mais interessante, pois foi lá que a Montreal nasceu. O bairro até hoje abriga a maioria dos prédios históricos, que são verdadeiras obras de arte a céu aberto. Caminhar através da Old Montreal é a melhor forma de conhecer essa espetacular parte da cidade. Abaixo segue um roteiro do que fiz por lá:

Place d’Armes – Está no coração da Vieux Montreal. Tem ao seu redor importantes prédios, como o mais antigo da cidade, o Old Seminary, e o primeiro arranha-céu do Canadá, o New York Life Building, com seus impactantes 8 andares – uma grande novidade para a época. Ao centro da praça está o monumento dedicado aos fundadores da cidade.

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Place d’Armes, no coração da Vieux Montreal

Basílica de Notre Dame – Está junto a Place D’Armes. Deixe para visitá-la a tardinha, quando é apresentado o espetáculo o “And then there was light”, um incrível show de luzes que ocorre de terça a sábado, às 6:30pm. Custa $10 CAD.

Marche Bonsecours – Em estilo clássico, o lindo prédio foi aberto em 1847 e funcionou como Prefeitura de Montreal até o ano de 1878. Hoje está totalmente restaurado e conta com diversas lojas, joalherias e restaurantes.

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Centro comercial Marche Bonsecours. Quase que o trem rouba a cena!

Prefeitura de Montreal275, Notre Dame East – O imponente prédio da Prefeitura de Montreal foi erguido entre 1872 e 1878 e sofreu um incêndio em 1922. Está junto ao Champ de Mars, uma bonita área da cidade. Tours acontecem todos os dias das 8:30 as 16:30 horas.

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A bela Prefeitura de Montreal

Place D’Youville – Pointe-À-Callière – É o exato local de nascimento de Montreal. Junto a ele está o surpreendente Museu de Arqueologia e História, o Montreal Museum of Archaeology and History.

Há ainda algumas ruas interessantes, as quais você não pode deixar de percorrer:

Rue de la Comune – É uma espécie de beira-mar. Aqui, no caso, beira-rio. Ao longo dessa via estão várias praças, hangares e iate clubes. Há espaço para caminhadas, corridas e até uma ciclovia. Aqui está a orla do porto velho. Vale a pena dar uma conferida no Montreal Science Centre e no cinema com tecnologia IMAX, que reproduz vários documentários interessantes. Já na rua vale a pena conhecer a Torre do Relógio, que fica próximo ao hangar 16.

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A Beira-Rio Rue de la Comune. Ao fundo se vê a Torre do Relógio

Rua Saint-Paul – é a rua mais antiga de Montreal. Bastante charmosa, ainda preserva o chão construído com pedras. Hoje abriga diversos restaurantes, cafeterias, pubs, galerias de arte e lojas de souvenires. E já que está por perto, vale a pena dar uma passada também na Praça Jacques-Cartier, que é o local perfeito para relaxar, comer algo e ver os artistas de rua que ali se apresentam.

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A boêmia Rue Saint Paul

Para facilitar ainda mais a vida do viajante, o querido Governo de Montreal disponibiliza gratuitamente o mapa oficial de Old Montreal. Legal, não?! Clique aqui e baixe o seu.

Passando para o outro lado da cidade, a parte nova, gostei muito de ter visitado a:

Cathédrale Marie-Reine-du-Monde Muito bonita. Arquitetura impressionante. Fica na Rue de la Cathédrale, nº 1085.

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Basiliqué Marie-Reine-du-Monde

Cathédrale Christ Church – Pequena, mas vale a pena conhecer se tiver tempo.

Place des arts – Local incrível! Um grande espaço para shows e apresentações de teatro. Há restaurantes também. Chegar lá é fácil: basta descer na estação homônima. O calendário dos eventos pode ser visto no site do Place des Arts.

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Places des Arts e seus artefatos modernistas

Parc Mont-Royal – Esse é imperdível. Foi o lugar que mais gostei em Montreal. Como já me referi no início do texto, esse é o local que inspirou o nome da cidade. Após uma pequena trilha ao topo da montanha, você encontrará um enorme salão de festas. Há também um mirante que aponta para os principais pontos da cidade, de onde é possível ter um linda vista de Montreal. No meses do verão há diversos shows gratuitos e praticamente toda a população de Montreal vai para este parque para aproveitar o dia.

Olympic Park – Palco das Olimpíadas de 1976. No parque há a torre mais inclinada do mundo. Acabei não subindo, mas parece ser interessante. No parque olímpico tem ainda o Biodôme – local em forma de capacete de ciclista que hoje abriga uma diversidade de ecossistemas. Impressionante ver como eles conseguem reproduzir os ecossistemas. É um pouco caro, mas estudante, com carteira, tem desconto ($13.50 CAD). Para chegar lá pelo metro você deve descer na estação Viau (linha verde).

Ilha de Notre Dame – Local onde fica o Cassino de Montreal, a Biosphere, museu dedicado ao meio ambiente, e o Circuito de F1 Gilles Villeneuve, que fica aberto ao público fora do período da corrida. Na ilha, o mais bacana para mim foi poder percorrer a famosa pista, mesmo que a pé. Pude subir no local da “bandeirada”, parar no local da pole position e ver na linha da largada, escrito no chão, “Salut Gilles”, em homenagem ao renomado piloto. Chegar nesses locais a melhor maneira é usando a linha amarela, descendo na estação Jean-Drapeau.

Deu fome só em pensar passar por todos esses lugares? Em mim também!! Então nada mais justo do que provar alguma comida típica. Mesmo não sendo o Canadá famoso pela sua gastronomia, existe um prato que você obrigatoriamente deve experimentar em Montreal: O Poutine. O legítimo Poutine (pronuncia-se ‘putsin’) nada mais é do que uma porção de batata frita – geralmente servida com casca e tudo – coberta com molho gravy e muito queijo. A partir daí restaurantes fazem diversas variações, incrementando a iguaria tipicamente quebecoise. Uma delícia!!!

Durante meu tempo em Montreal experimentei 2 restaurantes, os quais super recomendo. O primeiro é o descolado La BanquiseFuncionando 24 horas por dia e servindo mais de 30 tipos de poutines, o La Banquise é o restaurante preferido dos locais após uma balada. O lugar é bem bacana e, além dos poutines, são comercializados hambúrgueres, hot-dogs e uma extensa carta de cervejas. O preço é acessível (média de $13 CAD a porção grande). Fica na Rachel Street East, 994, próximo ao lindo Parc La Fontaine. Já o segundo restaurante fica na Saint-Paul Street East, 161, no coração da Old Montreal. Se chama Montreal Poutine e, mesmo não sendo tão cool e famoso, tampouco tendo tantas variedades da especialidade em seu cardápio, serve um delicioso poutine, por um preço justo. Embora minha dica seja para conhecer os dois locais, particularmente gostei mais do segundo. O que não pode é deixar de provar!

Sobre hospedagem, escolhi o Hostel La Maison du Patriote pela localização e pelo preço bom. E foi uma ótima pedida! Nada melhor do que estar na principal rua da cidade antiga, justo ao lado do Montreal Poutine! Fica na Rua Saint-Paul Street East, 164. As camas são confortáveis, banheiros limpos e uma agradável área comum. Há dormitórios privados também.

Agora que você já tem todas as dicas dessa espetacular cidade, que deixa saudades e uma imensa vontade de morar por lá, basta colocar a mochila nas costas e explorá-la a fundo!

Bon Voyage!!!

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

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